A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada pelo fim definitivo dos ciclos menstruais e pela interrupção da função dos ovários. Esse processo costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos, e é oficialmente diagnosticado após 12 meses consecutivos sem menstruação.¹
Embora seja uma etapa fisiológica, a menopausa traz consigo uma série de mudanças hormonais, físicas e emocionais que podem impactar a qualidade de vida. Entender seus sintomas é o primeiro passo para lidar melhor com esse período e buscar orientação médica adequada.
Alterações hormonais e início dos sintomas
Durante o climatério — período de transição que antecede a menopausa — ocorre uma redução gradual da produção de estrogênio e progesterona, hormônios essenciais para diversas funções do organismo feminino.² Essa queda hormonal é a principal responsável pelos sintomas típicos da fase, que podem variar em intensidade e duração.
Os sintomas geralmente se iniciam de forma leve, com irregularidade menstrual e pequenas alterações no humor, mas podem se tornar mais marcantes à medida que a produção hormonal diminui.
Sintomas vasomotores
Os fogachos (ondas de calor) são os sintomas mais característicos da menopausa, afetando cerca de 70 a 80% das mulheres.³ Eles surgem de forma repentina, principalmente no rosto, pescoço e peito, e podem vir acompanhados de suores noturnos e palpitações.
Esses episódios estão relacionados à instabilidade do centro termorregulador no cérebro, afetado pela queda do estrogênio.³ Como consequência, muitas mulheres também relatam insônia e fadiga diurna, devido à dificuldade em manter um sono contínuo e reparador.⁴
Alterações geniturinárias e sexuais
A redução do estrogênio também afeta os tecidos da região íntima, levando à chamada síndrome geniturinária da menopausa.⁵
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Ressecamento e irritação vaginal
- Dor ou desconforto nas relações sexuais (dispareunia)
- Diminuição da lubrificação natural
- Coceira, ardor e corrimento leve
- Infecções urinárias recorrentes
- Incontinência urinária e urgência para urinar
Essas alterações podem interferir na autoestima e na vida sexual da mulher, mas existem tratamentos eficazes — desde lubrificantes e hidratantes vaginais como o Vagidrat, até terapias locais, que devem ser avaliadas pelo médico.⁶
Sintomas psicológicos e cognitivos
A oscilação hormonal também afeta o sistema nervoso central, podendo causar mudanças de humor, ansiedade, irritabilidade, tristeza e até quadros depressivos leves.⁷
Além disso, é comum o relato de dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação de confusão mental.⁸ Esses sintomas podem estar associados tanto à ação hormonal quanto à perda de qualidade do sono e ao estresse emocional que acompanha essa fase da vida.
Manter uma rotina equilibrada, com atividade física regular, boa alimentação e apoio psicológico, pode ajudar a reduzir significativamente essas manifestações.
Alterações na pele, cabelo e unhas
Com a queda dos níveis de estrogênio, ocorre uma redução na produção de colágeno e elastina, substâncias responsáveis pela firmeza e elasticidade da pele.⁹
Como consequência, é comum notar:
- Pele mais seca e fina
- Perda de elasticidade e aumento de rugas
- Cabelos mais finos e quebradiços
- Unhas frágeis e descamadas
A hidratação adequada, uso de protetor solar e acompanhamento dermatológico são fundamentais para minimizar esses efeitos.
Sintomas musculoesqueléticos e metabólicos
A menopausa também está associada a mudanças no metabolismo e no sistema ósseo. A deficiência de estrogênio favorece a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose.¹⁰
Além disso, podem surgir:
- Dores musculares e articulares
- Ganho de peso, principalmente abdominal
- Diminuição da massa magra e aumento da gordura corporal
- Alterações no colesterol e na glicemia
A prática de exercícios de resistência e impacto, como musculação, caminhada e pilates, associada a uma dieta equilibrada e rica em cálcio e vitamina D, ajuda a preservar a força óssea e muscular.¹¹
Outros sintomas comuns
Algumas mulheres também podem apresentar:
- Palpitações e taquicardia
- Tonturas ocasionais
- Sensibilidade mamária
- Secura ocular e bucal
- Queda da libido
Esses sintomas, embora incômodos, tendem a diminuir com o tempo ou com o acompanhamento clínico adequado.
Importância do acompanhamento médico
Cada mulher vivencia a menopausa de forma única. Por isso, é essencial realizar consultas regulares com o ginecologista, que pode indicar estratégias personalizadas para aliviar os sintomas e preservar a saúde física e emocional.
Além do tratamento medicamentoso, mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, sono regular e exercícios físicos, são aliados importantes nessa fase de transição.¹²
A menopausa não deve ser vista como o fim de um ciclo, mas como o início de uma nova etapa de autocuidado e bem-estar.
Referências bibliográficas
- Sociedade Brasileira de Climatério (SOBRAC). Menopausa e Climatério: Manual para Leigos. 2018.
- Ministério da Saúde. Manual de Atenção à Mulher no Climatério. Brasília: 2008.
- North American Menopause Society (NAMS). Menopause in the News. 2023.
- Portella, C. Impacto da Menopausa na Qualidade de Vida. USP, 2014.
- BVS – Biblioteca Virtual em Saúde. Manual do Climatério. 2010.
- Drauzio Varella. Menopausa e Climatério. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br
- Cuadernos de Educación. Transtornos Emocionais na Menopausa. 2021.
- Ministério da Saúde. Manual de Atenção à Mulher no Climatério e Menopausa. 2020.
- SOBRAC. Menopausa e alterações dermatológicas. 2020.
- Editora Clannad. Manual Brasileiro de Osteoporose. 2021.
- Sociedade Brasileira de Reumatologia. Cartilha da Osteoporose. 2021.
- BVS/MS. Atenção à Saúde da Mulher no Climatério. 2010.
Material destinado ao público leigo. Produzido em novembro/2025. VAG_BR_PT-BR_24965_v1